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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie



























avant-dernières pensées
28.4.07

Agora eu era um louco a te buscar

Eu tinha 7 anos: Construção
Eu tinha 8 anos: Valsinha
Eu tinha 15 anos: João e Maria
Eu tinha 18 anos: A noiva da cidade
Eu tinha 22 anos: Eu te amo
Eu tinha 25 anos: Olha, Maria
Eu tinha 30 anos: Palavra de mulher
Eu tinha 35 anos: Samba do grande amor
Eu tenho 40 anos: Futuros amantes

O Chico Buarque continua sendo a melhor trilha sonora da minha vida


Aquellos ojos verdes / serenos como un lago / en cuyas quietas aguas / un día me miré ...

4:24 AM Comments:

24.4.07

DNA visual




5:20 PM Comments:

21.4.07

Hoje

Na sala de espera do médico, a mulher de óculos muito escuros reclamou de síndromes incríveis que ela teve: alergia a camarão (menor interesse, sorry). A outra reclamou do plano de saúde, q avisou uma coisa e fez outra (continuei lendo minha revista Piauí). A outra mentiu no celular. Eu ouvi: "Estou almoçando". Tava nada.

Andei horas Ipanema-Leblon, salto altíssimo! Merda de salto. Ensaio. Merda de ensaio. Só cantar me salvaria hj. O ensaio não foi o suficiente. De volta em casa cantei, desesperadamente: "Why do I feel discouraged? I sing because I'm free".

Nos taxis do dia todo, engarrafada, mil telefonemas. Problemas e mais problemas. Ninguém liga pra dizer: Oi, querida, arrumei a solução...
Em casa pensei: detesto esta vida, vou pra Second Life. Mas aquilo é um tédio total. Vinho sul Africano pra nada.
Vi O Diabo veste Prada. Me lembrou muito uma patroa das vidas passadas: "To mandando parar o furacão porque eu quero pegar um avião!"
A amiga ligou: Bracarense? Então tá. Coisas da vida da amiga, Secretaria de Fazenda, ai, ai, e a afilhada que eu vi nascer, lá, no mesmo bar que eu: Mas já? Ou eu é que to velha e nem percebi? Estou péssima, preciso de uma Second Life! Onde compro uma outra vida?
Em casa, de volta, às 2h, half-drunk, ainda péssima, talvez pior. Na máquina, a voz dele, o recado mais doce: "oi... ooooi... não taí? Saudades de vc, muitas..."

Aquele derretimento das geleiras, das calotas polares, todo de uma vez, dentro de mim.

Agora são 5h19. Desligamos agora, 3 horas de conversa. Isso não vai passar nunca? Tarde demais, eu acho.


I know he watches me (foto de roberto cecato)

10:05 PM Comments:

16.4.07

Pérolas aos poucos

Na noite passada eu sonhei que me olhava no espelho e dizia: ah, que bom, nasceram pérolas nas conchas dos meus ouvidos. E elas estavam lá, nas curvinhas aconchegantes das minhas orelhas, umas micro-pérolas lindas. Eu as colhi e me senti a própria ostra premiada.


Ah, a música, esse fertilizante universal...

6:34 AM Comments:

11.4.07

Foi no mês que vem

Porque era maio e também eu nunca mais gostei mesmo de verão. Eu já tava meio dada a gostar de você. E você veio em maio.

Pensa bem.

Na luz mais linda da vida pra uma carioca encontrar um amor. Uma carioca assim como eu, que adora um dia de outono, que ama uma praia com luz branca, que gosta de cerveja bohemia, fim de tarde e de um cigarro de palha pra tossir. E de chamego. Era maio.

Que melhor fim o destino poderia reservar a um gaúcho como você, que veio aqui me ver, logo nessa luz? Logo nessa temperatura perfeita pra se aconchegar, pra se puxar uma coberta no meio da noite, uma colchinha leve de algodão. Que melhor destino pra um gaudério cheio de terra nas bombacha, cheio de cabelo nas venta? Que melhor sorte do que uma carioca como eu, que come cabrito assado na madrugada e morre de rir com você, de você, e que te ama over the rainbow?

Que melhor destino poderíamos ter pedido?

Que melhor destino poderíamos ter perdido?


a linha, o linho

6:18 AM Comments:

9.4.07

Amigo é o melhor lugar mas São Paulo tb é bom à beça!

Coisa mais linda é isso: vc vai a SP e seus amigos blogueiros sem rosto, como a Maray do Che Caribe e o Arnaldo do Baú de Tranqueiras aparecem para mostrar as carinhas sorridentes, simpáticas, alegres, interessadas e perguntam: adivinha quem eu sou?

Os que já tinham mostrado as carinhas e já tinham ficado amigos, daqui e de lá, fronteiras derrubadas, apareceram pro show e pro chope. A Beta nao escreve, mas lê e sabe a letra de todas as músicas do mundo, menos as em japonês, por enquanto... O A. inventou um programa que fez eu me sentir num filme daqueles que têm uma cafetina japa de roupa de oncinha, unhas vermelhas, cigarro na piteira e laço de veludo no cabelo. O Guga, que tb esteve na primeira temporada e portanto era fundamental nesta segunda, quase não ia e acabou fondo, pra minha felicidade e surpresa. Tivemos uma noite perfeita! Queridos, vcs fazem São Paulo ser uma cidade que me abraça!

Depois dizem que a humanidade está perdida. Tá nada! E não! Nós não somos um bando de internautas babacas.






Foi assim que voltei pro Rio: nas nuvens e over the rainbow

11:58 PM Comments:

2.4.07

A cura

Tomei coragem e telefonei para a minha melhor amiga de adolescência, a quem sempre amei profundamente, mesmo tendo tido pouco contato com ela nos últimos anos. Estudamos nos mesmos colégios, éramos coladas. Mas mudamos de ramo, aquelas coisas da vida...

¿Por acaso¿ encontrei a irmã dela, que me contou que minha amiga está doente, precisando dos amigos. Liguei. Ela acaba de fazer uma cirurgia horrível, coisa muito grave. Não é a primeira vez. Depois de contar a barra pesada de um jeito quase leve, demos boas gargalhadas, lembrando episódios do passado, do sotaque do padre que fez nossa primeira comunhão, as gírias que a gente falava, nosso código de adolescentes cariocas nos anos 80. Ela está firme, cascuda, sabe o que é sofrer muito. Está grata pela doença trazer tanto amor pra ela. Está com aquela resignação de quem sublimou os detalhes e está ligada no big picture. Chora todo dia um pouco, mas quer viver um dia de cada vez. Quer viver.

À tarde fiz uma salada de grão de bico com legumes, muito saudável, nutritiva e gostosa, lembrei da minha comadre, que fazia a salada que me inspirou. Deu saudades. Liguei pra ela. Ela falou do assalto que sofreu. Falou de doença, descreveu os sintomas nos mínimos detalhes, os nomes dos remédios, os nomes dos médicos, os diagnósticos dos exames, as dores, as aparências, as sensações. Ela não tem nada, nenhuma doença. Mas quer ter. Desliguei sem conseguir contar pra ela que fiz a salada e senti saudades...

Desejo a ambas que encontrem o milagre da cura.


"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo", Guimarães Rosa


3:54 AM Comments:

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